Experiência Transformadora (CSW69 e CSW70)

Relato de Ígina Gabriela Pereira, Servas Brasil (PE), sobre a sua participação na Comissão Sobre a Situação da Mulher (CSW) na ONU

CSW na ONU

Participar da CSW (Comissão sobre a Situação da Mulher) pela primeira vez em 2025 foi uma experiência profundamente transformadora. Tive o privilégio de estar em um espaço onde vozes de todo o mundo se reuniram para discutir desafios, conquistas e as aspirações das mulheres em diferentes contextos culturais e sociais.

Ao longo do evento, conheci pessoas de diversos países, cada uma trazendo histórias inspiradoras de força e superação. Mulheres que, mesmo diante de adversidades, continuam lutando por direitos fundamentais em seus países e também no âmbito da ONU. Essas narrativas, muitas vezes marcadas por sacrifícios e superações, me tocaram e reforçaram a importância da solidariedade e do diálogo global.

Durante a conferência (CSW69), tive a chance de entrevistar várias mulheres e nessas entrevistas, pude explorar as motivações pessoais que as fazem persistir, mesmo diante de tantos desafios e obstáculos. Suas trajetórias são um testemunho poderoso de que a busca pela igualdade de gênero é um compromisso contínuo e conjunto.

Entre os exemplos inspiradores está o de Mariana Sanz, fundadora e diretora da ONG Poderosas Colômbia. A organização atua na educação sexual para empoderar meninas e mulheres por meio do conhecimento, quebrando tabus e oferecendo acesso à informação em comunidades vulneráveis. A história de Mariana mostra como o ativismo social transforma realidades, revelando a força de quem, apesar dos pesares, segue abrindo caminhos para outras mulheres. Seu trabalho é um reflexo do espírito da conferência: inspirar, conscientizar e construir um futuro mais justo e igualitário.

Link das entrevistas no instagram: https://www.instagram.com/reel/DHtEQ7zuFz0/?igsh=bnU0eDBheDBlanVt

Agora em 2026, na septuagésima edição do evento, pude participar de mais painéis e descobrir o que torna esse encontro único: sua extraordinária diversidade intercultural. Nesta segunda participação na CSW, em Nova York, foi inspirador conectar-me mais profundamente com membros do Servas Internacional, compartilhando perspectivas entre culturas e idiomas, todos unidos pelo objetivo comum de justiça e igualdade de gênero.

Ao ouvir mulheres de várias partes do mundo, percebi como nossas lutas se assemelham, apesar das distâncias que nos separam. Suas histórias, marcadas por dor e resiliência, revelaram que a busca pela igualdade é um desafio universal. Em um dos painéis sobre gravidez na adolescência, tema que é recorrente no Brasil, as vozes vieram de Taiwan, Argentina e Quênia, revelando como esse desafio complexo atravessa fronteiras e conecta realidades.

O que tornou esta edição ainda mais enriquecedora foi ir além da escuta: entrevistei homens engajados na causa, cujas perspectivas renovaram minha esperança. Eles reforçaram que a justiça de gênero é uma responsabilidade compartilhada, que exige o compromisso e a voz de todos. Homens não devem atuar apenas diante do  problema, mas também como parte da solução.

A CSW70 foi mais do que uma conferência: um mosaico vivo de vozes, experiências e dedicação. Um poderoso testemunho da força que surge da diversidade e da ação coletiva. Fazer parte desse encontro reafirmou algo profundo em mim: a verdadeira mudança começa quando nos unimos, cruzando fronteiras, construindo pontes e compartilhando o mesmo propósito de justiça e igualdade.

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